sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Futuro

Moro em uma cidade pequena
Onde vizinhos se abanam
Onde os bêbados se amam.
A frialdade das grandes me assusta.
A história de que o pensamento la é mais liberto não me apetece.
Mira a pampa e me diz: em que lugar poderíamos ser mais livres?
Em que lugar poderíamos pensar mais livres?
Sou como meus pais, vou abanar o zelador, ignorar o delator e julgar quem me julgou.
Sou refém do pouco amor, do meu próprio descaso.
Me assusta pegar a estrada, o medo do novo, tão batido e tão real.
O medo do tempo, tão confuso e desigual.
O medo do medo que atrasa, que faz mal.

domingo, 27 de novembro de 2011

Por quê? Diante do que?

E as construções continuarão bonitas, ao passo de que tu nunca será lembrado ou lembrada.
E as distancias ainda serão vencidas, mesmo que no ápice da sabedoria a sapiência e a honestidade continuarão escassas. Será sempre a contradição do muito conhecimento não ter resultado em nada. Será sempre a oscilação fria desse universo onde tudo que é humano é um engano. Será sempre a concepção psíquica e a importância será a de quantas polegadas tem o aparelho de televisão. A de quanta capacidade o que transmitirá as mentiras tem de ser idolatrado. Tudo que for livre será julgado, tudo que não for metrificado, que não se fizer sólido, líquido ou gasoso. Será desacreditado, será exposto e mostrado como exemplo de desgosto.
A questão não é a de se curvar, a questão é diante de que curvar-se, a questão é a falta de um motivo pra acreditar. Só nos resta acreditar que o que temos de consideravelmente bom, um dia foi considerado utopia. Não me refiro a falta de métrica, ou a significância disso tudo na poesia, me refiro ao pouco que nos faz sorrir, ao pouco que há muitos anos atrás não existia.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Assim que possível

E a gente tenta, mas cai.
E a gente pensa, mas cala.
E a gente sonha sem medo, sem vergonha.
Os olhos marejados não dão espaço para a manifestação da fala.
O tempo exato para a fumaça chegar aos pulmões
Fazendo das brisas os tufões
E eu grito Que sejam doces! Que sejam doces os meus dias!
Recebo então um e-mail da esperança dizendo:
Aguarde, sua solicitação de inspiração para nova poesia
será enviada assim que possível.
Desejo sono.
Sem dono ou dona, só esse emaranhado de palavras me fazem
a cabeça, para que de tanta confusão eu sorva alguma beleza.
Maldito barulho, malditos pássaros, maldito amor que não segue meus passos.
Maldita voz que clama por algo, maldita falta de foco de quem vos fala.
Maldita e minh’alma que consente, que cala.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Explanando a própria arrogância

Não tenho nada a lhe dizer, mesmo por que não sou obrigado.
Meu vocabulário não iria te agradar e meus gestos talvez fossem
demasiadamente exagerados.
Não tenho nada a lhe escrever, e não é por falta de conteúdo pois até gozo de
um ou dois conhecimentos banais e nada contundentes.
Não tenho nada a lhe explicar, o que muito me enquizila e me faz varar as noites,
te deixaria entediado, eu dançaria em meio a vaias.
Minhas sementes não germinam, talvez por pouco cuidado, talvez por muito regar.
A insistência do cigarro atrás de cigarro e do chegar ao mais próximo da loucura
para só então retornar. Trato tudo com ironia e até aceitação.
Inércia? é a arte do bunda mole meu caro. Contradições, textos, textos tudo isso pra que? A fantástica busca pela perfeição do indigesto! Oh mas que objetivo nobre! um merdinha de 17 anos querendo falar sobre crises existenciais! Pode até ser, felizmente ganho um passe safo da maioria e não vou mentir, isso alimenta meu ego!

Malditos sejam vocês e seus descendentes
que roubam meu entusiasmo e queimam minhas sementes!

domingo, 11 de setembro de 2011

Ensaio sobre autoanalise

Ultimamente a vontade é a do nada
Não quero fazer nada.
Não quero falar sobre nada.
Não quero rir de nada.
Não quero cantar nada.
Ultimamente a honestidade esta escassa.
Os crentes brindarão a graça de um Deus vazio,
alguns precisam disso, sabedoria barata de bêbados de praça.
Nem a porcaria do cigarro apaga direito.
Os defeitos se fazem presentes nas respostas dadas,
e é cagada atrás de cagada.
Felicidade idealizada ninguém consegue, eu peço um pouco de
paz e um maço cheio, quanto ao resto me viro sozinho.
Até o texto ficou uma merda
Poeta? ahh por Deus, pro inferno com poeta!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Escrever, primeiro ato


Escreva sobre tudo, da folha a esvoaçar aos teus olhos inchados ao acordar
de ressaca. Escreva liberto, os arrogantes que tentam impor algo sobre teu lirismo, geralmente são linguistas frustrados, invejosos de almas tão gélidas quanto frangos de super mercado.
Escreva feliz, triste, amargurado, chorando, gritando, calado.
Escreva bêbado, deixa que teu lirismo te afronte, bata e machuque.
Apanha calado. Escreva, só escreva...

Química da Poética

Ácido, base, ácido, básico
de certa forma me identifico com tal ciência,
pois sou ácido, ácido ao falar,
às vezes até maldoso e corrosivo
amarga referencia ao sulfúrico.
E básico, sou capaz de me fazer despercebido, passar
invisível e portanto incorrigível.