sábado, 9 de julho de 2011

Um tanto quanto perturbado


Já esperei acordado, desacreditado e danço um quanto tanto descompassado. Já engoli a seco o que diziam quando só diziam por dizer coisas que nem ao menos conseguiam me entreter. Já vivi e vi morrer. Fui por falsos escultores lapidado, sou reflexo fraco e de pouca luz do lado errado. Já arranquei inocências, travei batalhas com a coerência, morri muitas vezes, mas voltei aos afazeres como se nada tivesse acontecido, risquei o papel com tanta força, achei que tinha enlouquecido. Explorei o Desconhecido, encontrei nele um conhecido e a certeza de que infimamente pouco nos conheço. Li e reli poetas tentando compreender, compreendi quando vivi/reli e então queria esquecer. O todo é pouco orgânico embora pluricelular, já eu... Não espere de mim amor, afinal, é tão raro o meu amar. Procure em mim verdade, essa eu sei e fico feliz em dar, amor é só amor afinal, quase sempre acaba ao Deus dará. Já bebi pra vomitar, não tive forças pra gritar, zombei do teu engordar. Escrevi inúmeras linhas tentando explicar coisas que nem ao menos são de natureza explicável. Destrocei por destroçar e fiquei a gargalhar. Amarguei-me por pouco amar, mas vivi limpo e livre, livre e limpo e se quiser passar a limpo o que tu vistes, que sejas limpo, que sejam livres...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Café frio

- Esse ''quê'' de drogado e a barba descomunal
quando comparada a minha idade,
não são coisas muito... atrativas, se é que me entendes?
Claro! diz ele ainda olhando fixamente para o espelho.
--Risos--
Acende um cigarro que se faz dois.
- Isso ainda vai acabar nos matando.
- É, talvez, mas não hoje,
ele vai esperar eu ficar feliz pra poder tirar mais alguma coisa de mim.
- Somos mais de dois?
- Sim, claro meu caro amigo, somos mil, cinco mil talvez.
- E como lidar com isso?
Ele pisca e responde
- Quando souberes essa, faça-me o favor de não compartilhar.
- Seria algo terrível não ter sobre o que escrever.
- E isso vale a tristeza?
- A vale, vale até mais! Vale vidas eu diria...
Mais uma tragada e a fumaça se dissipa no ar, assim como a conversa...


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Que acabaram por esvoaçar


Ouvir um Sinatra e fumar um cigarro.
Era o que lhe restara para aquele fim de noite.
O frio se achegava trazendo saudades,
coisas pequenas e ao mesmo tempo desconfortáveis em sua grandeza.
Em uma imensidão de palavras, são poucas as que conseguem definir
parcialmente o que sente quem não sente. E quem sabe?
Os tormentos seriam frequentes, mas o inverno já se fazia presente,
e com ele uma forma diferente e mais excitante de ver as coisas.

Só restavam cinzas, que acabaram por esvoaçar...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Bye Bye Black Bird


Desprovido de qualquer postura caminhava bêbado, sujo, desiludido,
enferrujado, perdido.
Desprovido de qualquer beleza caminhava entre ruelas escorraçado, desengonçado,
despercebido, desenganado.
E ele era como o pássaro negro da música e teria que alçar voo outra vez.
As circunstâncias eram sempre solitárias, o que esperar da vida?
Pode ver que a situação está crítica quando o que faz falta é a falta de conflitos,
as pessoas não te encantam, poesia e fantasia fazem isso por elas, mas ele quer mais, ele quer contato humano, ele quer sentimentos reais, ele quer ódio real, ele quer euforia real, ele quer felicidade real! e sente falta até mesmo da tão evitada, desprezada, cuspida e escarrada
tristeza real...

sábado, 26 de março de 2011

Cuspindo em pratos limpos...


Uma caixa de lixo tóxico, mental e auto-destrutivo,
fora aberta, navegando nos mares mais turbulentos e perigosos
que sua mente guardava. Corria para se livrar de vazamentos nucleares
em uma terra esquecida pelos Deuses, vivia em si mesmo pois nada no mundo
la fora lhe fora oferecido. No terceiro dia de caminhada após o naufrágio,
entre destroços e corpos de crianças mortas, algo lhe ocorreu, inimigos haviam
sido derrotados, tudo ficaria bem. Mas se ele pensava que aquilo era o fim,
a única coisa certa era que ele estava errado.

O verão se fora trazendo o frio, ele teria que encontrar onde se abrigar,
antes que a noite caísse e com ela trouxesse a escuridão total da alma...

A escória está no pedestal
sentimentos puros foram mortos,
vida longa aos que um dia o exaltam
eles tem que viver o bastante,
para d'outrora te arrancarem os olhos.

domingo, 13 de março de 2011

Turn on the tv!


Hoje eu acordei e liguei a televisão, entre pães com manteiga e leite com achocolatado,
toda minha atenção está empregada em não perder o próximo episódio de pokemon
Hoje eu acordei criança, vou sair pelo bairro e construir minha própria pipa! vou dominar
o mundo e dar ''rodões'' de bicicleta, vou subir na escada mais alta, vou tomar banho de caixa da água, vou jogar bola no campinho, vou cortar toda minha franja, a idéia me parece divertida.
Hoje eu acordei de ressaca, na casa de um amigo que me cedeu a própria cama
e dormiu no chão, parceria conquistada e rara nestes dias, assim como a cortesia encontrada la.
Hoje eu acordei mal amado, eu acordei interessado nos conflitos no oriente,
vou ligar minha TV e mergulhar em outra realidade, talvez eu até estude mais tarde, a vida na infância costumava ser bem mais divertida...


quarta-feira, 2 de março de 2011

Textos tortos a suspirar ...


E assim se foi, em um caminho neutro, tristeza e felicidade esgueiravam-se dele,
tirando-lhe toda e qualquer coisa que o fizesse sentir-se humano outra vez,
qualquer coisa que arranca-se um suspiro daquele coração solitário.
Frio a tudo ele segue, e embora sinta todo peso ao carregar,
ele evita fuçar a velha mochila de saudades, aquela que acompanhara
em textos tortos e desamparados por ai, cheia das coisas mais bonitas,
cheia de nostalgia terrena, cheia de uma vida relativamente pequena...

...Tudo lhe fora tomado, mas rever conceitos e escalar novamente a montanha cuja queda lhe deixou tão perplexo, seria uma tarefa digna de algum entusiasmo ...