sábado, 5 de maio de 2012

Comodidade insensata

Até que ponto a mudança não é algo necessário?
Até que ponto utilizamos personalidade como causa de algo
que dizemos ser imutável?
Dizer sou assim por que sou assim me parece tão cômodo, tão fácil.
Encarar nosso próprio eu e dizer: Eu tenho sim capacidade de me moldar,
adaptar, trasformar e regenerar perante situações, opiniões e pessoas.
Mas pra isso tenho que sair do meu status não é??
Da certeza de tudo.
Da arrogância da opinião formada,
Da cabeça elevada, do nunca voltar atrás.
E nesse mar de ignorância onde é possível navegar tranquilamente poucos são os que se arriscam nas águas perigosas e cheias de pedras do desconhecido.
Estagnar é simples, transformar requer tempo, pisar no ego.
E isso poucos estão dispostos a fazer.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Conflitancia vertiginosa

A arte de sorver o humano de forma clara e pura está me faltando.
A arte de moldar o amargo e jogar em linhas está se calando.
Os textos estão escassos e as folhas virgens
A cabeça cansada, mais e mais vertigens
As palavras entristecidas, desacreditadas e fracas.
O aconchego da inércia é de certa forma confortante.
Ridículo, mas confortante.
Ridículo a qualquer cabeça pensante.
Pensar só entristece, aí tu foge, tenta e esquece.
E voltas a pensar, seco, cálido e cada vez mais sentimental.
Frustração, frustração...
Rasga tudo, soou ruim e sem conclusão.
As coisas andam formatas demais, em moldes demais.
Tudo muito seguro e insosso.
Molda, molda e sai merda.
Ando bem enojado.
Já fui mais sonhador
Certa vez até morri de amor.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Divina imperfeição

E aqui eu me vejo, andando entre gaviões.
É incrível o quanto se descobre sobre si mesmo analisando o mundo.
Uma vez ao menos, reflitamos sobre a causa que leva as ações.
Se uma só vez retrucássemos as verdades que movem ladroes.
Nos encontraríamos presos nelas, em toda essa humanidade mórbida.
Nessa humanidade em que mesmo os que dizem fazer sua parte, simplesmente falham.
Não é uma questão de inteligência ou estudo, é uma questão de reflexão.
Somos tão falhos em tantos sentidos, de tantas formas fomos, somos e seremos corrompidos.
De tantas formas seremos iludidos.
Ser de verdade é a meta.
Nunca em linha reta, nunca coerentes, mas humanos
Carne, ossos e tudo que nos faz humanos.
As enzimas e o caralho a quatro, mas pelo amor de Deus nos admitamos humanos.
Propensos a falhas e represálias... Humanos, ao menos uma vez humanos como sempre.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Cabeça erguida

Algumas coisas eu aprendi com o tempo.
A cortesia deve sempre ser observada.
Se alguém pode te ajudar, mas recusa o diálogo
Significa que simplesmente não quer.
Respeite isso, respeite essa pessoa como indivíduo.
Afinal, muitos gostariam de fazer o mesmo.
Só não o fazem porque não tem poder ou colhões o suficiente.
Falta de educação é falta de estilo, a cortesia deve sempre ser observada.
Não grite, não se exalte. Tem que ser bravo para enfrentar outras pessoas.
Mas mais bravo ainda pra fazer calar a si mesmo.
Admita erros e peça desculpas, o que nunca erra é chato.
Tenha princípios, ainda que o saco esteja cheio de doces,
sem princípios, ele será apenas um saco cheio de doces.
Controle os impulsos, afinal sem pulsos não há mãos e portanto
não há masturbação.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Brisa

O que sabes tu sobre tormentas? gritou ele.
A ponta pés e murros o deitou no chão.
Tu sabes sobre isolamento, claro que sabe, sempre te isolas!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Futuro

Moro em uma cidade pequena
Onde vizinhos se abanam
Onde os bêbados se amam.
A frialdade das grandes me assusta.
A história de que o pensamento la é mais liberto não me apetece.
Mira a pampa e me diz: em que lugar poderíamos ser mais livres?
Em que lugar poderíamos pensar mais livres?
Sou como meus pais, vou abanar o zelador, ignorar o delator e julgar quem me julgou.
Sou refém do pouco amor, do meu próprio descaso.
Me assusta pegar a estrada, o medo do novo, tão batido e tão real.
O medo do tempo, tão confuso e desigual.
O medo do medo que atrasa, que faz mal.

domingo, 27 de novembro de 2011

Por quê? Diante do que?

E as construções continuarão bonitas, ao passo de que tu nunca será lembrado ou lembrada.
E as distancias ainda serão vencidas, mesmo que no ápice da sabedoria a sapiência e a honestidade continuarão escassas. Será sempre a contradição do muito conhecimento não ter resultado em nada. Será sempre a oscilação fria desse universo onde tudo que é humano é um engano. Será sempre a concepção psíquica e a importância será a de quantas polegadas tem o aparelho de televisão. A de quanta capacidade o que transmitirá as mentiras tem de ser idolatrado. Tudo que for livre será julgado, tudo que não for metrificado, que não se fizer sólido, líquido ou gasoso. Será desacreditado, será exposto e mostrado como exemplo de desgosto.
A questão não é a de se curvar, a questão é diante de que curvar-se, a questão é a falta de um motivo pra acreditar. Só nos resta acreditar que o que temos de consideravelmente bom, um dia foi considerado utopia. Não me refiro a falta de métrica, ou a significância disso tudo na poesia, me refiro ao pouco que nos faz sorrir, ao pouco que há muitos anos atrás não existia.